ULTRAMARATONAS SÃO POTENCIAIS GERADORAS DE LESÃO POR EXCESSO DE USO?

Alguma vez você já se imaginou correndo 4487km ao longo de 64 dias?

É uma média de 1.7 maratonas por dia!

Parece até inimaginável, porém tem gente que pratica essa modalidade e mostra o quão somos resistentes à lesões por excesso de uso!

Se gosta de correr, leia mais sobre esse assunto aqui!

A formação de edema ósseo, quando um trauma afeta a parte medular e isso provoca sangramento interno no osso, provoca sintomas como:

▪️Dores

▪️Inchaço

▪️Rigidez

Outros sintomas dependerão da gravidade do trauma.

Edema ósseo provocado por lesão de LCA

Esse tipo de trauma é causado quando há impacto direto como em esportes de contato, ou indireto, quando há excesso de uso da região.

Edemas ósseos são corriqueiramente associados à lesões

Em 2012, Freund e colaboradores publicaram um edifício em que testaram e avaliaram edemas ósseos, degeneração de tendões e lesões por excesso de uso, na região dos tornozelos e pés de corredores da Trans Europe FootRace 2009.

Essa prova consiste em uma corrida de 4487km, onde os participantes têm uma meta de correr essa distância em até 64 dias sem descanso.

Cerca de 70km/dia correndo. 1.7 maratonas por dia, durante 64 dias 😅

Os participantes, que no ano de 2009 foram 67, possuíam idades entre 26 e 74 anos. Desses, onze eram mulheres e cinquenta e seis eram homens.

Ultramaratonistas junto com militares, esses últimos associados à marchas extenuantes, estão entre as maiores vítimas de lesões por esforço repetitivo. Essas lesões são mais comuns pois grandes distâncias percorridas durante a corrida e marcha, provocam uma grande quantidade de impacto e maior fadiga na região do tornozelo.

Essas lesões podem ser assintomáticas, sem sinalização de dor, e isso pode ser prejudicial por não resultar na retirada do esporte.

A região que mais sofre impacto e é mais exigida, concentra o maior número de lesões. São essas as regiões que mais sofrem por stress repetitivo:

▪️Tendão de Aquiles

▪️Calcanhar

▪️Tornozelo

Isso não quer dizer que outras regiões, como lombar e até mesmo o pescoço, sofram lesões durante esses eventos.

O Tendão de Aquiles.

Durante a prova, a cada 1000km percorridos, Freund e seus colaboradores acompanhavam os atletas em avaliações de Ressonância Magnética nas regiões já citadas (Tendão de Aquiles, Calcanhar e Tornozelo). Os resultados colhidos foram cruzados ao longo das frações de 1000km.

A hipótese era de que ocorreriam lesões na região, porém que elas poderiam ser regeneradas durante os intervalos de descanso. Também era esperado que alguns atletas, submetidos à ressonância magnética, abandonassem a prova devido à lesões.

Dos 44 atletas que aceitaram participar do estudo, apenas 22 foram acompanhados pela equipe de Freund. A limitação do número de atletas foi causada pela necessidade de tempo gasto para fazer uma avaliação por ressonância magnética.

E, do grupo de vinte e dois atletas participantes do estudo, apenas 13 seguiram a prova até o fim dela.

Os resultados desse estudo foram:

▪️Tendão de Aquiles sofreu um aumento em sua espessura. Não ocorreu degeneração do mesmo.

▪️Calcanhares sofreram aumento do sinal intra-ósseo. Possivelmente um sinal de fratura por stress, que foi aumentado ao longo dos dias da corrida, porém sem sintomas nos participantes.

▪️A sola dos pés e a região do tornozelo sofram inchaços causados pelo volume da corrida. Esses inchaços possivelmente eram calos causados pelo contato com o sapato.

Nos intervalos os atletas costumavam cortar/perfurar a pele para drenar líquidos dos calos que, ao longo da corrida, impediriam a acomodação dos pés dentro do tênis.

Inchaços provocados durante ultramaratonas

Talvez a falta de sintomas tenha impedido que os atletas economizassem os impactos do calcanhar no solo.

Há tempos atrás, acreditávamos que desregulações endócrinas eram as responsáveis pelo inchaço nas pernas e tornozelos de corredores de longa distância. Porém, recentes estudos mostraram que o inchaço está relacionado à ingestão de líquidos durante a corrida. Esses inchaços são proporcionais ao aumento do volume de água corporal, e que ele aumenta conforma aumenta a distância e a ingesta hídrica durante a prova.

Edemas ósseos também contribuem para o aumento do volume corporal dos corredores, comuns em situações de impactos repetitivos, contribuem para o inchaço.

Um dos pontos de edema que tiveram maior diferença entre Finishers e Non-Finishers, está a sola dos pés. Os que abandonaram a prova apresentaram maior inchaço na sola dos pés em avaliações mais próximas ao ponto de abandono da prova.

Edemas nessa região estão, provavelmente pela dinâmica de absorção de impacto, relacionadas à edemas ósseos assintomáticos na região da canela e na região que recobre as fibras musculares. Talvez, mesmo que assintomáticos, eles tenham mudado a biomecânica da corrida e causado maior formação de edemas na sola dos pés.

A região que mais foram afetadas.

⚠️Estudos do mesmo autor, só que relacionada à meio maratonistas, não resultou em qualquer mudança por stress de uso na região do tendão de Aquiles.

⚠️Não é possível generalizar os resultados para os mais diversos grupos de corrida, padrões de prova, ambiente de prova entre outros.

⚠️Uma avaliação de cada caso, individualmente, se faz necessário para melhor estipular limites e estratégias de recuperação.

⚠️Edemas ósseos podem demorar cerca de 4 semanas. Nesse período prefira atividades sem impacto e respeite esse intervalo para uma demodulação óssea completa.

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