CORRIDA FAZ O SEU CÉREBRO PRODUZIR SUA PRÓPRIA MACONHA

O consumo terapêutico da Cannabis provoca, no seu cérebro, as mesmas sensações que a corrida provoca em pessoas treinadas e adaptas à corrida.

Há muito se sabe que somos movidos à recompensas: trabalhamos por remunerações, constituímos relações por desejarmos, nos alimentamos com a comida que gostamos. Tudo isso fez parte para chegarmos no estágio que chegamos na nossa evolução. E é por isso, provavelmente, que ainda estamos a evoluir entre as espécies.
 Em 2011, RAICHLEN e colaboradores testaram os efeitos da corrida e caminhada na sinalização do sistema Endocannabinoide. Pra quem não conhece, esse sistema está presente em todo nosso corpo, do cérebro à sola dos pés, e possuem dois receptores que influenciam diretamente no controle do apetite, escolha do alimento, engajamento esportivo e afins.
Os pesquisadores testaram as respostas da corrida e da caminhada em três espécies: 

Ferret

▪️Homens ▪️Cães ▪️Ferrets
Desses 3, somente o Ferret não possui um padrão motor próprio para corridas.
Os 3 grupos foram expostos à 30min de atividade aeróbica na esteira. Todos realizaram 30min de caminhada e, exceto pelo Ferret, correram por 30min. 

Cães gostam de correr

Logo após a intervenção dos exercícios, caminhada e corrida, foram coletados sangue para avaliar a resposta na expressão de neurotransmissores ANANDAMIDE (AEA) e2-ARACHIDONOYGLYCEROL (2-AG).
Os resultados: 
Cães e humanos tiveram aumento expressivo após a corrida e, em contrapartida, os níveis desses neurotransmissores baixaram logo após a caminhada.

Anandamide e THC possuem os mesmos efeitos no cérebro

Nos Ferrets os níveis aumentaram de forma inexpressiva durante a caminhada, sendo que ele não executou a corrida por incapacidade biomecânica, ou talvez por conta da ausência do mecanismo de recompensa para atividades físicas como a corrida.
Após a atividade em homens, um questionário foi usado para comparar o estado de humor e percepção de bem-estar. Os resultados mostraram melhorias em quadros psicológicos, tais como humor, redução de ansiedade, satisfação pessoal e afins. Os resultados positivos fora correlacionados positivamente com as concentrações de ANANDAMIDE. Quanto mais alta a AEA, melhor o estado de bem-estar geral era encontrado.
Mas isso significa o quê?

As funções semelhantes da produção de anandamide e o consume de THC

A ANANDAMIDE é um neurotransmissor que se liga ao sistema Endocannabinoide. Mais precisamente, aos receptores CB1 e CB2.
Esses dois receptores possuem grande afinidade para acessar o cérebro e, além disso, se relacionam diretamente com a área neurobiológica de recompensa chamada Núcleo Accumbens (NAc). A NAc é parte da região responsável por prazeres, bons sentimentos, felicidade e, entre outras coisas, aquele amor maternal. Essa é a mesma região acessada por drogas ligadas a prazer, tais como o THC provindo da Cannabis, muito utilizado em fitoterapia em estados de stress, depressão, ansiedade e afins. 

O que isso traz de informação para a gente?

1- É possível que nossa evolução física, ao longos dos anos desde a época das cavernas, tenha acontecido justamente por conta do nosso “vício” de sentirmos prazer. E, nesse caso, ainda não se consegue fechar se nosso cérebro evoluiu graças ao esforço físico ou se começamos a nos mover mais porque sentíamos prazer nisso.

2- O estudo usou atletas recreativos, capazes de correr por 30min sem parar. Talvez as repostas neurobiológicas não sejam assim tão iguais em pessoas sedentárias. É preciso ainda confirmar duas hipóteses: a resposta de aumento da AEA pode não ser igual em sedentários, talvez pelo sistema nervoso central não entender que o corpo, por não ser treinado,  não seja apto à prática atlética; associar prazeres para o treino aeróbico, como por exemplo correr em um local bonito/agradável ouvindo uma música positiva. Ou ainda associar a corrida à uma água de côco no seu final, por exemplo.

3- A corrida pode ser utilizada como parte do tratamento antidepressivo e para reduzir o nível de ansiedade, desde que a intensidade esteja bem equilibrada para a capacidade cardiorrespiratória e funcional do indivíduo. Isso não quer dizer que ela dispense uso de medicamentos prescritos por médicos, tome cuidado e não cesse de forma irresponsável o uso, mas serve como recomendação para que médicos incentivem a prática de exercícios aeróbicos como parte do tratamento.

E lembre-se:

Exercícios funcionam como remédio natural e não possuem efeitos colaterais indesejados.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: