TORÇÃO LATERAL DO TORNOZELO: COMO PREVENIR E TRATAR

A torção lateral de tornozelo é uma das lesões não-traumáticas mais frequentes em esportes.

Caracterizada pela “queda lateral”, a torção lateral de tornozelo pode trazer danos mais severos a quem sofreu:

▪️inatividade esportiva

▪️dores

▪️instabilidades crônicas (depois de 12 meses da lesão)

Além do curso socioeconômico elevado, esse tipo de lesão poderá progredir para degeneração articular e outros problemas.

👉🏻Para melhorar o direcionamento nesses casos, VUURBERG e colaboradores lançaram uma atualização de direcionamentos, baseado em evidências científicas, para melhorar o retorno à rotina social e esportiva.

Porém, antes disso, é preciso entender quais são os grupos de pessoas mais suscetíveis à essa lesão:

FATORES INTRÍNSECOS:

🧨Pouca mobilidade de dorsoflexão de tornozelo.

🧨Propriocepção reduzida.

🧨Deficiência em controle/equilíbrio postural.

🧨Sobrepeso ou estado de redução de massa corporal.

🧨Elevada pronação plantar durante a corrida.

⚠️Fatores modificáveis:

Ainda considera-se aumentado o risco de lesões se houver redução de força, menor capacidade cardiorrespiratória, menor coordenação motora, redução da mobilidade do tornozelo e lentidão no timing de reação do tendão peroneal.

⚠️Fatores não-modificáveis:

Mulheres, pessoas mais altas, formação articular, posição de pisada entre outros.

🚨 em casos de pessoas com lesão ou com fatores modificáveis evidentes, tratamento e prevenção devem incluir exercícios para reduzir esses fatores.

FATORES EXTRÍNSECOS

🧨Relação da altura do calcanhar com a altura da frente do pé. Quanto mais elevado o calcanhar, do calçado, maior risco desse tipo de lesão. (um salve pra galera do NikeShox)

🧨Jogar futebol em grama sintética é mais arriscado que em gramado natural.

🧨Calçado de voleibol com cano baixo, pois as aterrisagens são um dos mecanismos mais correlacionados com essa torção.

🧨Fadiga aumentada em atividades esportivas.

⚠️O nível de competição ajuda a aumentar o risco dessa lesão. Por exemplo: embora mulheres sejam mais suscetíveis à essas torções, no futebol competitivo os homens sofrem mais dessa lesão.

As lesões costumam provocar dor intensa e uma redução rápida da mesma. Cerca de duas semanas após, as dores cessam.

As dores costumam voltar em períodos após as duas semanas inicias. Geralmente o retorno da dor está associada à intensa atividade física.

Ao que parece, imobilizar a articulação, buscar avaliação médica/fisioterápica é o caminho mais sensato e seguro a ser seguido. Além de escolher o caminho mais seguro, é imprescindível que o faça o mais rápido possível, até 5 dias iniciais, pois esse tipo de lesão muda toda a estabilidade e funcionalidade de outras articulações.

APÓS A LESÃO

GELO:

Há pouca, ou nenhuma, evidência de que a aplicação de gelo, por si só, melhore as dores e restabeleça as funções articulares. O que é indicado é a aplicação de compressa de gelo e o acompanhamento fisioterápico. Nunca bolsa quente.

ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTERÓIDES:

O uso oral ou tópico, a princípio, oferece bons resultados na redução de dor na região. Nos primeiros 14 dias essa redução é bastante acentuada, porém os efeitos colaterais tendem a aparecer em pacientes com idades mais avançadas e pouco condicionados.

Embora eles atrasem a recuperação fisiológica normal, são positivos para diminuição da dor e inchaço na região. É recomendável seu uso em casos de dores, porém é preciso verificar qual princípio ativo é aplicado para seu caso.

IMOBILIZAÇÃO

É recomendável que lo e não ultrapasse de 10 dias.

Prolongar o tempo de imobilização é prejudicial para o retorno funcional da articulação. Recomenda-se que a imobilização seja feita para diminuir os inchaços e dores na região, porém o retorno à mobilidade deve ser feito simultaneamente, através de terapias especializadas.

SUPORTE FUNCIONAL

Por permitir algum movimento e gerar tensões nas articulações, esse tipo de suporte parece ser mais benéfico o que a total imobilização.

Lembre-se: o retorno à funcionalidade articular é a prioridade. Dependemos da funcionalidade, mesmo que parcialmente, para que a recuperação seja completa, tanto estrutural quanto funcional.

Estima-se que o uso por 4-6 semanas seja o mais adequado.

EXERCÍCIOS

Quanto antes for possível iniciar, melhor.

A prática de exercícios de estabilidade, força e propriocepção, é fundamental para o retorno mais rápido e seguro ao esporte.

Ainda que seja sem supervisão, já parece mais benéfico que a total inatividade. Porém, retreinar com supervisão adequada (ex fisioterapeuta) é a opção mais indicada a ser tomada.

MOBILIZAÇÃO MANUAL

A adoção de exercícios passivos de manipulação manual, quando sem resistência, é um tratamento eficaz em curto e médio-prazo.

O mais recomendável seria utilizar a mobilização manual em conjunto com a prática de exercícios.

TRATAMENTO CIRÚRGICO

A recomendação de intervenção cirúrgica visa proteger de novas torções, basicamente.

Em situações onde há instabilidade aumentada e uma não-resposta às práticas de tratamento conservador, o tratamento cirúrgico pode ser bastante positivo para evitar novas torções e, por reincidência, diminuir a probabilidade de novas torções causarem osteoartrite na articulação danificada.

Cerca de 60-70% das pessoas respondem bem ao tratamento conservador (não-cirúrgico), então é altamente recomendável tentar os tratamentos conservadores.

Casos cirúrgicos, onde não há resposta de melhoria na estabilidade articular, devem ser acompanhados de decisão individual e dos tratamentos conservadores anteriormente citados.

Em casos de retorno ao esporte, os atletas preferem optar pela cirurgia para acelerar o retorno ao esporte.

PREVENINDO A LESÃO

SUPORTE FUNCIONAL

A utilização de suportes articulares melhoram o percepção da posição e sensores de movimento articular.

Esse tipo de suporte pode ajudar na prevenção tanto da primeira quanto das subsequentes torções.

EXERCÍCIOS

Treinar coordenação, força, equilíbrio e propriocepção.

O treino deverá ter como objetivo melhorar o senso de posição e movimento da articulação. Quanto mais o cérebro entender os movimentos sendo feitos, e a posição em que ele se encontra, menores as chances de lesões (primeira e subsequentes).

CALÇADOS

Embora as referências sejam poucas e não conclusivas, parece mais prudente utilizar tênis com canos mais altos quando o esporte prevê saltos e aterrisagens, como por exemplo o vôlei, parece mais prudente usar calçados com mais estabilidade.

RESUMÃO PARA VOCÊ QUE TEVE PREGUIÇA DE LER TUDO (famoso sumário executivo)

▪️A adesão de programas de mobilidade, proprioceptivo e força, é fundamental para a manutenção da saúde e do timing de ativação dos estabilizadores do tornozelo.

▪️Em caso de lesão por torção lateral, o diagnóstico funcional feito por um fisioterapeuta parece mais eficiente que imagens por ressonância magnética.

▪️O tratamento pode ser feito imediatamente após a lesão, principalmente com mobilização e terapia manual, para que as capacidades funcionais sejam preservadas.

▪️A imobilização é recomendável somente em último caso. Fora casos de fratura, o ideal é usar suportes que protejam fornecendo estabilidade, porém sem que sejam impedidos os movimentos da articulação.

Essas são as recomendações, publicadas em 2018, para otimizar os cuidados com o tornozelo.

Novas recomendações poderão serem feitas em um outro período, porém, a princípio, essas teriam de 5-10 anos de validade científica.

Novos tratamentos que surgirão, serão testados, estudados e validado pela ciência, deverão atualizar as recomendações.

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