ARTRITES E TREINO DE FORÇA

•Já sentiu rigidez articular pela manhã?

•Já sofreu com dores e inchaços nos joelhos?

•Dores e temperaturas elevadas nas articulações, mesmo sem qualquer atividade física?

Você pode ter osteoartrites e esse texto irá ajudar você a tomar a decisão certa.Além de gerarem dor, as Osteoartrites podem gerar também deformidades e limitações funcionais em quem a possui.

O que leva à artrite é ainda alvo de muitos estudos, porém há algum norte quanto aos fatores possuem relação com ela. Fatore como:

?Traumatismos

?Excesso de Peso

?Alimentação (alimentos inflamatórios)

?Desgaste Natural

?Alteração Imunológica

É comum o tratamento ser administrado com utilização de medicamentos por via oral e até por infusão que, como efeito colateral dos imunossupressores, acarretam em um “bloqueio” da estrutura contrátil muscular. Assim a dor é aliviada, porém há perda de movimento e aumento da rigidez articular.

E o treino de força?

1️⃣  Em Março-2001, HÄKKINEN e colaboradores publicaram no American College of Rheumatology um estudo onde 62 pacientes diagnosticados cedo com AR (artrite reumatóide) foram tratados com a adição de Treino de Força ou Alongamentos.

Após 24 meses de acompanhamento e uma média de 1.5 treinos/semana, período onde os participantes também foram encorajados a praticarem atividades como caminhada, natação e ciclismo 3x/semana, os seguintes resultados foram encontrados:

  1. Diminuição do Impacto limitador da doença.
  2. Aumento de Força na Coxa.
  3. Melhoria na Qualidade de Vida.
  4. Aumento Força e Força Relativa (força/peso_corporal).
  5. Aumento da Força nas mãos.
  6. Aumento da Velocidade de Caminhada.
  7. Aumento de Força no Tronco (flexão e extensão).
  8. Houve aumento de Densidade Mineral Óssea no Fêmur.
  9. Aumento de Densidade Mineral Óssea na Espinha. *embora não estaticamente significante).
  10. O Treino de Força mostrou-se um promissor meio de manter a Densidade Mineral Óssea, que tem redução causada muitas vezes pela desabilitação funcional e administração de glucocorticoides durante o tratamento.

O Treino de Força mostrou-se um excelente aliado para o tratamento de RA. Ele obteve, exceto pelo teste de Flexão de Tronco onde foi igual ao grupo do alongamento, resultados muito superiores na promoção da qualidade de vida e redução de dores.

O melhor eu deixei para o final: o Treino de Força era realizado em casa e com ELÁSTICOS! Você NÃO precisa pagar uma academia.

2️⃣ Já no ano de 1996, RALL e colaboradores realizaram um estudo, também pelo American College of Rheumatology , para averiguar os efeitos de 12 semanas de treino, sendo realizados 2x/semana em portadores de Artrite Reumatóide e comparando os resultados com grupos de Jovens saudáveis e idosos saudáveis. Além de um grupo sem qualquer atividade, claro. Esse estudo foi um dos pioneiros em ampliar cargas mais altas, 80% de 1RM, em RAs e comparar os resultados com pessoas sem RA de diversas idades.

  • As repetições continham uma espaço de 2-3seg de descanso entre cada uma e eram feitas 3 séries de 8 repetições com 2min de descanso entre séries.

 

  1. Todos os grupos, exceto o Grupo Controle – que não fez qualquer treino -, tiveram ganhos de força.
  2. Os portadores de RA não tiveram redução no número de pontos de dor, porém a percepção de dor foi reduzida.
  3. Houve diminuição da fadiga e aumento da velocidade de caminhada.
  4. O equilíbrio também sofreu melhorias.
  5. Não houveram alterações  nos níveis de depressão, onde os portadores de RA possuíam os níveis mais elevados.
  6. Não ocorreram alterações na capacidade respiratória, o que  já era esperado por não terem sido submetidos a treinos aeróbicos, em nenhum grupo.
  7. Embora não tenham ocorrido modificações na composição corporal, houve aumento de força em portadores de RA.
  8. Não ocorreu aumento no número total de potássio corporal, o que indica que não houve aumento de massa corporal total. Porém houve aumento de força. Isso ocorreu provavelmente pelo aumento da eficiência funcional.
  9. O tempo de duração da rigidez matinal foi reduzido durante o período de tempo.
  10. Alguns estudos mostram que treinar 3x/semana pode aumentar o volume corporal celular e modificar o metabolismo no tecido muscular, porém talvez não seja interessante expor as articulações inflamadas a mais sobrecargas na semana.
  11. O Treino de força foi capaz de promover aumento de força, função e qualidade de vida em portadores de RA sem que o estado hipermetabólico fosse alterado.

3️⃣ HÄKKINEN, SOKKA e HANNONEN estudaram os efeitos de 2 anos de exercícios físicos feitos em casa por um período de 5 anos. Os exercícios eram realizados com elásticos e halteres em casa no grupo que se exercitava e, em outro grupo sem exercícios físicos, apenas alongamentos eram realizados.

  1. Ambos os grupos tiveram aumento de força.
  2. Os ganhos foram mais elevados no grupo que treinou força.
  3. Houve melhorias de capacidade funcional, qualidade de vida e intensidade da dor percebida.
  4. Em geral, o grupo que s fez exercícios obteve maiores ganhos e, principalmente, durante o período no qual foi submetido ao treino de força.
  5. Ao final dos 5 anos, o último check feito mostrou que o grupo que treinou força obteve melhore melhores resultados e o ganho de força estava correlacionado com a intensidade, e não com a duração, do treino de força.
  6. Também foi possível comprovar a correlação entre a força com a funcionalidade (subir escadas, velocidade de caminhada e atividades diárias, por exemplo). E tais resultados perduram por 3 anos as cessarem os treinos.

 

  • Períodos muito curtos de treino tendem a fazer com que os resultados desapareçam rapidamente após cessarem os treinos. Em diversos estudos o percentual de pessoas que deixaram de treinar força chega a cerca de 50% após o término do estudo. Porém nesse o percentual não atingiu mais que 6%. Isso contribuiu para que os resultados se mantivessem elevados. Tal adesão permaneceu em 80% mesmo após os 5 anos e isso foi atribuído ao suporte multidisciplinar que estava sempre à disposição de quem precisasse ligar para pedir alguma ajuda/informação. Além disso, as informações sobre os benefícios do treino de força, também sobre o impacto na saúde da articulação e a autoavaliação funcional, foram fundamentais para a manutenção da atividade física mesmo após o período do estudo.

4️⃣ Em uma revisão feita por Aja Häkkinen em 2004, foram avaliados estudos para tentar achar uma maneira segura e efetiva para treinar pessoas com Artrite Reumatoide.

  1. Atividades Físicas não costumam aumentar dano articular e parecem proteger o avanço da atividade da doença.
  2. Artrite Reumatoide é uma doença catabólica, o exercício físico deve ter como objetivo evitar a magnitude da redução de massa corporal.
  3. Devemos aplicar sobrecargas maiores que as diárias para que o treino seja efetivo.
  4. Desenvolver e melhorar a sinergia muscular.
  5. Podemos utilizar diferentes métodos, tais como isométricos, estímulos elétricos entre outros, dependendo do grau e fase de comprometimento e imobilização.
  6. Os protocolos com maior intensidade mostraram-se mais efetivos que os de baixa intensidade combinados com aeróbicos, ou até mesmo dos somente aeróbicos.
  7. No aeróbico, prefira bicicleta. Mesmo tendo resultados ainda contraditórios por conta de serem utilizados indivíduos destreinados, os exercícios na bicicleta mostraram-se efetivos.
  8. Além dos próprios estímulos do treinamento e dos testes, a redução de dor parece também contribuir para o aumento de força. Fatores psicológicos podem explicar esse ganho.

 

  • Exercícios moderados-intensos são bem toleráveis e, sem dúvida, são métodos eficazes para promover/manter a força muscular em pacientes R.A. Além disso, diversos estudos mostraram que mudanças no estilo de vida podem e devem ser encorajadas para a manutenção da funcionalidade e qualidade de vida de R.As.

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