USO CRÔNICO DE MACONHA E SEU IMPACTO NO METABOLISMO

O uso crônico da Maconha estimula os receptores Cannabinoides (CB1R e CB2R) e Endocannabinoides, que estão relacionados à importantes regulações de balanço energético, apetite, sensibilidade Insulínica, funções de células BETA pancreática e metabolismo lipídico. Ao que indica, ativar CB1R promove a utilização de lipídios como fonte energética, reduz a resposta Insulínica no tecido muscular esquelético e prejudica a ação e secreção das células beta pancreáticas. Sendo assim, podemos sugerir que a inibição desses receptores pode desempenhar um papel importante no controle de peso corporal, tratar dispilidemia e também tratar a resistência Insulínica. Sendo esse mecanismo um recurso promissor no controle da obesidade e tratamento da resistência Insulínica.

MUNIYAPPA e colaboradores estudaram os efeitos do uso crônico da maconha no metabolismo.

Nesse estudo, onde uma das drogas ilícitas mais utilizadas nos EUA (cerca de 17 milhões de usuários atualmente) foi teve seus usuários comparados com não usuários, tentou-se desenhar uma luz de informação nessa droga ainda pouco estudada e seus impactos no metabolismo.

Participaram do estudo, 60 voluntários (30 não usuários e 30 usuários declarados) que tiveram seus hábitos alimentares bem como seus dados como composição corporal, distribuição do tecido gorduroso e gordura hepática avaliados e comparados. Também houveram testes de Tolerância à Glicose por via oral.
Os resultados foram os seguintes:

  1. Usuários de Maconha tendem a apresentar maiores níveis de Pressão Arterial que não usuários, provavelmente pela utilização de tabaco.
  2. Talvez por estimular a fome através dos receptores Cannabinoides, os usuários de Maconha tendem a escolher alimentos menos nutritivos e com maiores índices glicêmicos, mesmo que no final as a quantidade calórica seja equiparada, os usuários ingerem maior percentual de calorias provindas de carboidratos.
  3. Usuários de Maconha tendem a ter menor percentual de gordura abdominal e subcutânea que não usuários, porém a quantidade de gordura visceral tende a ser maior que não usuários.
  4. A quantidade de gordura no fígado não sofreu mudanças entre os dois grupos, o quês pesquisadores viram com certa surpresa por ter sido um resultado diferente do esperado.
  5. Embora usuários tenham apresentado menor concentração de HDL, dados com triglicerídeos, LDL e Gordura Livre não sofreram alterações entre os dois grupos.
  • A conclusão do estudo é que o uso crônico da maconha pode alterar a sensibilidade à insulina em tecidos específicos, causando um impacto mínimo no metabolismo da glicose e lipídico.
  • Usuários mais pesados de maconha tendem a consumir mais refrigerantes, queijos, frituras salgadas e carnes de porco.
  • Os estudos mostraram que o  aumento da atividade de CB1R gera maior apetite e mais propensão à comidas com maiores concentrações de carboidratos e gorduras.
  • Embora tenham uma alimentação mais calórica e pouco nutritiva, usuários leves de maconha tendem a ter menor percentual de gordura e menor peso corporal que pessoas não usuárias.
  • Embora o uso de maconha tenha causado efeitos de maior atividade de CB1R e matado células BetaPancreáticas em ratos, o que levaria à diminuição da secreção Insulínica, tal efeito não foi constato em humanos. Mesmo em usuários pesados de maconha, a concentração de glicose em jejum parece nãsofrer alteração.

Embora o estudo tenha algumas “falhas”, como por exemplo quantificar a dosagem de cannabis, tipo e a dosagem relativa por usuário, os usuários de maconha também eram consumidores de tabaco. Logo tais efeitos/resultados podem estar relacionados ao uso de tabaco e/ou a combinação  das duas substâncias.

Como uma grande parte dos usuários tinham origem Afroamericana, público esse já conhecido como possuidor de maior resistência à cirrose hepática, os resultados de menor quantidade de gordura hepática podem ter sido provocados pela origem étnica.

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