Procurado: uma lista de “vilões”

  A fadiga é o que a grande maioria dos atletas, amadores ou profissionais, tenta evitar ou apenas adiar o seu encontro com ela. São horas de treinos gerais, horas de treinos específicos, alimentação diferenciada e alguns outros recursos para que o corpo não fadigue.
  Muito comum em esportes de longa duração, a fadiga é uma das maiores barreiras a serem rompidas.
  A ciência vem investindo grande quantidade de recursos nessa busca para detalhar o mecanismo da fadiga, e isso é bem fácil de entender o por quê.

Jogos de Guerra em Tempos de Paz
  As competições esportivas mostram muito mais que a competição pelo esporte em si. Nos jogos olímpicos, por exemplo, há a busca pela afirmação de uma nação, da superioridade, seja ela declarada (como em Berlim 36) ou nos dias atuais. Quão maior o poderio financeiro de uma nação, maior o seu interesse em estar no topo de um ranking olímpico. 
  Jogos olímpicos são “jogos de guerra em tempos de paz”, como explica Roberto Pelegrino, autor de um texto publicado sobre o tema.
  
Os “vilões” responsáveis pela fadiga
  Houve o tempo em que toda a culpa recaía sobre um possível vilão: o Ácido Láctico. O que era explicado, até então, é que o tal ácido láctico era responsável por tornar o ambiente ácido e, assim, causar a sensação de “queimação” na musculatura requerida em determinado exercício/competição. É, após mais alguns estudos outras hipóteses precisavam ser testadas, já que o Ácido Láctico não existia no sangue e, ao invés dele, existia o Lactato. Esse, por sinal, age retardando a fadiga, equilibrando o pH e fornecendo ainda alguma energia para a manutenção do trabalho muscular. Fosfato inorgânico, Cálcio, Triptofano e outros, já figuraram também pelo hall de violões responsáveis pela fadiga muscular.
  Mas, ao que parece, a fadiga é coisa da sua cabeça…
A deficiência em enviar estímulos elétricos
  Pelo menos é o que mostram algumas pesquisas feitas com camundongos. Alguns artigos mostraram que há fadiga mesmo com uma considerável reserva de glicogênio muscular e um ambiente capaz de produzir mais trabalho.
  Após submetidos ao esforço até a fadiga, foram recolhidas amostras do tecido muscular e foram encontradas consideráveis reservas de glicogênio muscular, que é fundamental para a manutenção trabalho com intensidade elevada por um longo período de tempo (seria uma relação próxima ao esforço de um maratonista em sua prova específica, pro exemplo).
  Além dessa biópsia foram aplicados estímulos elétricos que resultaram em trabalho muscular. A partir desse resultado, a linha de pesquisa que trata o Sistema Nervoso Central passou a ganhar ainda mais força no meio científico.
  
Treinos, estratégias, suplementação, autoconhecimento e confiança
  A notícia boa é que existem recursos para “adiar” o quadro de fadiga. Treinos específicos, estratégias psicológicas, suplementação, auto conhecimento e confiança, podem ser algumas das chaves para a vitória nessa luta contra a fadiga.
  •   Uma boa estrutura de treinos, devidamente periodizada, priorizando o tempo estimado, a carga de treino, o controle das respostas agudas ao esforço, é fundamental para que o seu metabolismo se adapte e, assim, tornar-se capaz de suportar a prova sem sucumbir ao esforço. Também torna-se necessário treinar com estímulos o mais próximo possíveis da realidade da prova em questão.
  •   Criar estratégias de prova, mentalizá-la, conhecer o percurso, também parecem ser eficazes para que, durante a prova, nada tire você do seu objetivo.
  •   Suplementação também é um importante recurso a ser pensado/utilizado, pois torna maior a oferta de “energia” para os músculos envolvidos.
  • Autoconhecimento permite que você perceba um quadro de fadiga antes mesmo dele ser instalado, pois a fadiga não chega de “surpresa”. Se você se conhece você é capaz de saber o que você sente antes da fadiga e, ao perceber isso, utiliza alguma estratégia já treinada para evitá-la.
  • Confiança, quem já participou de provas de longa duração já sabe o quão importante é a confiança. Para quem nunca participou, nas provas de longa duração há um “jogo” de xadrez em seus pensamentos. Você lida com desconfortos, dores nos músculos, cansaço, calor, cãibras,.. Em fim, são muitos pensamentos que fazem você repensar o que você está fazendo ali e pouquíssimos outros pensamentos que fazem você seguir adiante. Geralmente saber que você é capaz, lembrar de tudo que você já passou nos treinos e pensar em dar orgulho para alguém, fazem você seguir em frente.
A busca continua, mas…
  Não há um causador específico para a fadiga. Há, na verdade, uma série de responsáveis pela fadiga e anular apenas um deles não nos torna capazes de afastá-la de vez.
  A fadiga, até então, é algo inevitável. Acredito que, em pouco tempo, essa frase perderá o sentido, tendo em vista os avanços na área da genética, por exemplo, será capaz de “dopar” o corpo de uma capacidade absurda de produzir mais e mais energia por um período de tempo cada vez maior.
  Até lá, eu aconselho que você converse com o seu treinador/professor e pensem, juntos, se há uma real necessidade de melhorar o seu rendimento e, caso a resposta seja positiva, como deverão desenvolver ainda mais as suas capacidades.
  Um grande abraço e até breve!
 (Esse site tem como objetivo apenas informar. Aqui não se prescreve treino, dieta e não orienta uso de medicamentos/suplementos. procure um profissional responsável para ter orientação)

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